domingo, 8 de maio de 2016

Márcia e Cristiane: deputadas Mães de Marcela, Bruna, Eduarda, Matheus e Marina.


O que as irmãs Marcela, Bruna e Eduarda, e os irmãos Matheus e Marina tem em comum? Todos nasceram num universo onde pais, avós e amigos respiravam política.

Marcela, de 29 anos e já casada, Bruna de 22 e Eduarda de 18, são filhas da deputada estadual Márcia Maia (PSDB), no quinto mandato, e netas dos ex-governadores Lavoisier Maia e Wilma de Faria.

Matheus, de 16 anos e Marina, de 9, são filhos da deputada estadual Cristiane Dantas (PCdoB) e do vice-governador do Rio Grande do Norte, Fábio Dantas (PCdoB), e netos do ex-deputado e prefeito de São José de Mipibu, Arlindo Dantas.

No fogo cruzado de campanhas e decisões políticas, Márcia e Cristiane sempre tiveram de encontrar tempo extra para dar atenção qualificada à turminha que ficava em casa quando elas saíam pelo estado afora em busca de votos.

Para compensar para os filhos a atenção sempre redobrada dada aos eleitores, as únicas parlamentares mulheres no legislativo do Estado, fazem ginástica.

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Hoje Márcia tem as filhas já adultas e encaminhadas na vida. Marcela, que sonha engravidar ainda esse ano, terminou o curso de Direito; Bruna faz Engenharia de Produção, e a caçula Eduarda, Medicina Veterinária. Mas, nem tudo foi assim tão tranquilo. Quando Márcia entrou para a vida pública – foi secretária municipal 3 vezes antes de se eleger deputada – a filha caçula ainda era bebê, e a mais velha tinha 12 anos.

“Eu sempre trabalhei, mas procurei ter tempo de qualidade para as meninas. Não adianta muitas vezes você estar perto delas mas não saber escutá-las. Muitas mães só aconselham, cobram, e não tem tempo de ouvir, saber a opinião dos filhos sobre a vida, os sentimentos. Eles querem, além de uma mãe, uma amiga”, disse Márcia, definindo como sempre foi sua relação com as meninas. “Essa abertura é importante, principalmente nesse mundo de violência, de uma sociedade individualista, e às vezes quando você vai ouvir seus filhos, percebe que ele já se encontra, em muitos casos, num processo adiantado de um problema, e que muitas vezes você não tem mais condição de ajudar”.

Para a deputada Márcia Maia, que com a experiência de mãe já apresentou, por exemplo, os projetos que esticam de 4 para 6 meses a licença-maternidade de funcionárias públicas, e de uma semana para 30 dias a licença-paternidade nessa mesma condição, a política nunca interferiu no seu papel de mãe. “Todo filho reclama quando a mãe trabalha muito, mas a gente compensa transformando o tempo que damos, em tempo de qualidade. O segredo é a qualidade do tempo”, explica Márcia, que aprendeu a dividir o tempo do povo e o tempo dos filhos, com a sua mãe, Wilma de Faria, que de mulher de governador, fundadora de ong social como o Meios, virou prefeita de Natal por três mandatos, deputada federal constituinte e governadora do estado por duas gestões.

Márcia lembra que a mãe, que tinha parado de estudar para casar e ter filhos, voltou a estudar e se formou, sempre aliando seu tempo de mulher trabalhadora e mulher de político, ao de mãe de 4 filhos. “A gente sentia falta, mas compreendia. E ela tentava envolver a gente para que pudéssemos entender a importância do trabalho dela. Lembro que na enchente de Santa Cruz a gente participou dos mutirões para arrecadar e distribuir materiais”, lembrou a parlamentar, que também, ao lado dos irmãos, acompanhava a mãe política em visitas a orfanatos. “Às vezes a gente levava crianças órfãs para passar o fim de semana em casa”, lembrou Márcia, definindo tudo isso como aprendizado.

Quando Matheus nasceu, Cristiane e Fábio se desdobravam fazendo campanhas para Arlindo, que de prefeito de São José de Mipibu passou a deputado estadual, e hoje é mais uma vez gestor municipal. Mas Cristiane disse que, como participava apenas das campanhas políticas, o distanciamento dos filhos sempre foi sazonal. Passava a campanha, tudo voltava ao normal, mesmo ela exercendo uma função, como a direção do Itep, por exemplo.

Das campanhas do sogro vieram as campanhas do marido, e finalmente, em 2014, foi a vez dela própria se eleger deputada estadual, quando o marido se tornou vice-governador. “Na minha campanha meus filhos reclamaram mais, pois tive que viajar pelo estado e chegava a passar mais de 24 horas sem vê-los”, lembrou a parlamentar em primeiro mandato, que assim como Márcia, aposta na qualidade do tempo para oferecer aos filhos.

“Readequei os horários deles na escola e os dois passaram a estudar pela manhã, quando estou na Assembleia. E sou eu que vou levá-los na escola, só não vou buscá-los porque ainda estou aqui”, disse Cristiane, que conversa com os filhos sobre sua missão e sobre suas funções como deputada.

O reflexo dessa interação a parlamentar começou a sentir quando o filho adolescente venceu a timidez e decidiu disputar o Grêmio da escola. E também quando foi chamada pela coordenadora do colégio para ouvir que Marina, durante a campanha política, pedia votos para a mãe dentro da escola. A coordenadora disse a Cristiane que conversou com a menina no dia que a encontrou em cima de um banco, rodeada de amigas, pedindo votos para a mãe candidata à deputada.

Com Matheus, adolescente, já conversa sobre namoradas, orienta sobre a vida, mostra os perigos das drogas, e apoia nas suas decisões como no caso da eleição do grêmio; com Marina, faz tarefas escolares, assiste às apresentações de ginástica rítmica, participa de todos os eventos na escola. E aproveita as folgas de fim de semana para levar a menina à Cidade da Criança, Parque das Dunas, cinema, shopping...

Programação que já ocupou muito o tempo da deputada Márcia Maia com as filhas, e que poderá, muito em breve, voltar a ocupar. É que a parlamentar segue o sonho da filha Marcela de ser mãe, planejando como será ser avó.

Com o filho adolescente, Cristiane ainda discute os sonhos de se apaixonar pela primeira vez, enquanto acompanha as séries da ginasta Marina, a futura herdeira política da deputada do PCdoB.

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